Desfiles icônicos para assistir no YouTube

Uma lista quase obrigatória com alguns dos fashion shows mais icônicos da história da moda

Se tem duas figuras notórias da indústria da moda que estão inclusas na lista de pessoas deveriam ser canonizadas pelo papa, essas duas são Charles Worth e John Powers. O primeiro, não por ter apenas criado o que hoje chamamos de alta costura, como também por ter inventado os desfiles de moda utilizando como principal modelo e musa, sua esposa. God bless. O segundo, Powers, por ter visto nessa necessidade de mulheres (e homens) disponíveis pra fotografar e desfilar a chance de fazer um negócio inédito e que nos abençoa até hoje: a indústria de modelos. Uma das formas mais justas de oração a esses anjos talvez seja apreciando essa arte que nos enche os olhos e nos desperta vontade de esvaziar os bolsos: desfiles.

Alguns deles entram pra história por motivos muito maiores que apenas a coleção de roupas expostas. São verdadeiros shows, alguns de pura arte exalando em um ambiente tão estreito quanto uma passarela. Um trabalho que envolve meses de preparo não só dos designers: são diretores de arte, de criação,de casting, cabeleireiros, maquiadores… enfim todo um staff enorme pra entregar algo que vai durar, no máximo, meia hora. Minutos esses, suficientes também pra fazer história, como você confere nessa lista de desfiles icônicos, quase obrigatórios, pra quem gosta de moda.

Alexander McQueen S/S RTW 1998 

Há três coisas muito difíceis nessa vida: conseguir comprar uma Birkin Himalaia (a.k.a uma das mais raras e caras da grife), ser contratada pela Vogue, e a terceira é conseguir escolher um só show do McQueen para classificar como memorável, uma vez que todos são. Alexander não apresentava um desfile, uma coleção. Ele construía um mundo para exibir para a temporada, e depois eles ganhavam vida e eu tenho certeza que até hoje estão por aí numa espécie de mundo paralelo que não fui convidada para viver.

No escolhido aqui, vem um dos momentos que consagrou a nossa padroeira, Gisele Bundchen no high fashion, que ficou conhecido como  “The Golden Shower”, apesar de nomeado oficialmente como ‘Untitled’ após um dos patrocinadores ameaçar deixar o desfile por conta do nome, digamos um tanto quanto… atrevido? Apesar disso, quando a chuva começa em meio ao looks transparentes de silhuetas extremamente marcadas (uma das obsessões do estilista) quando juntos ao com rímel escorrendo, se torna mais melancólico do que unicamente erótico. McQueen sendo McQueen.

Dolce & Gabbana – Spring Summer 2007 

A trilha sonora já é puro ouro, aquele Justin Timberlake da era Sexyback que eu tenho certeza, desperta boas memórias em você também ou eu tô velha? não espera, eu tinha só 12 anos! Com uma Dolce trabalhada em silhuetas e looks primordialmente sóbrios, Domenico e Stefanno trazem pra passarela um casting de TANTO peso que até faz demorar carregar o vídeo.

snejana onopka opening dolce
É rainha russa que chama. FATAL

Snejana Onopka, o eterno ícone russo, abre o show, e é difícil não sentir o impacto. O tipo de desfile que às vezes ainda é necessário reassistir, só pra lembrar o quão incrível pode ser uma top model de atitude embalando um desfile. Não que esse seja o caso aqui: ainda tem Natasha Poly, Sasha Pivovarova, Vlada Roslyakova, Maryna Linchuck, Carmen Cass (a apelidada “ the russian mafia”, e sim, nem todas são russas, mas tá tudo tão próximo que pegou o apelido). E só pras contar: nossa brasileira Raquel Zimmermann também não deixa nada a desejar, e ainda tem a cereja do bolo com o desfile sendo encerrado por uma baby Carol Trentini, que já mostrava que tinha vindo pra ficar. Ah, a Dolce dos anos 2000……….. *suspiro profundo

 

Gianni Versace – Spring Summer Men – 1998

É muito provável que você já tenha cruzado pelo menos com uma foto desse show, em que Naomi, faz o que só a própria poderia fazer: matar glamourosamente numa passarela. E dessa vez literalmente. Ou melhor, teatralmente. No prêt-à-porter de Gianni o conceito desfile foi levado a outro patamar – como sempre era pela alma criadora da Versace. Um espetáculo teatral com moda, arte, contorcionismo e tudo mais que você não espera quando pensa em um desfile. Mas Gianni pensou. O desfile começa aqui, mas se você estiver esperando pela performance inesquecível da Naomi, está disponível neste vídeo:

Chanel Fall-Winter 2014/15 Ready-to-Wear

Algumas pessoas precisam de limites. Outras, não. No time das outras está Karl Lagerfeld, à frente da Chanel por apenas 35 anos, que tem o aval pra fazer o que quer, como quiser. E a gente confirma isso quando ele resolve apenas construir um supermercado com todos os produtos em rótulos extremamente detalhados da marca para o cenário. Mais de cem mil itens nas prateleiras, desde cotonetes a garrafinhas de água, batatas fritas, caixa de ovos… Parece surreal e é, porque é Chanel.

chanel-7
Você nunca espera que o atendente da barriquinha de frutas seja Karl Lagerfeld. Mas pode a pode acontecer. #coisasdeParis

Na época, teve até confusão no final entre alguns fashionistas não muito elegantes disputando quem conseguia levar uma lembrancinha pra casa. E se você gostar muito do supermercado fashion, ainda pode fazer compras no estilo e adquirir aquela cestinha metálica super comum de fazer compras. A diferença é que essa aqui é envolta por correntes tradicionais da marca. E ah, custam quase 34 mil reais. Mas isso é só um detalhe.

 

Christian Dior Haute Couture Spring/Summer 2004

Segundo historiadores, os mortos no antigo Egito eram enterrados com ouro e outros objetos por eles muito estimados por acreditarem que ao chegar no paraíso, permaneceriam com eles. Tenho certeza que se tivessem conhecido o trabalho de Galliano, Cleópatra em pessoa gostaria de ser enterrada usando a coleção. E por que fui parar no Egito? É que essa foi a inspiração da coleção desse desfile memorável. 

dior egipty
Da rainha Nefertiti a uma múmia(!) Haute Couture. Isto foi a Era Galliano da Dior

Com Erin O’Connor abrindo o show resplandecente ao som de Baby Boy da Beyoncé, a introdução original da música diz que “me have da ting to run da ship ‘cause I’m go slip and I’m go slide…” Apesar da conotação sexual original do verso, podemos aplicá-la ao designer: John soube como ninguém navegar nos mares da alta costura, usando todas as técnicas possíveis, e esse é só um dos shows que provam. Se fosse hoje em dia, tenho certeza que a expressão “fazer a egípcia” até ganharia um novo significado. Uma menção honrosa também ao trabalho primoroso da musa dos pincéis Pat McGrath, responsável pela beauty do desfile. E uma segunda ao Galliano, que entra desfilando no final com aquela bitch face impagável que claramente está pensando: “eu sou incrível, eu sei, me aplaudam mesmo”. Não posso discordar.

 

E pra vocês, que desfile faltou na lista e deve entrar na parte 2, continuação da lista?!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s