Karl Lagerfeld e sua polêmica da vez

Avesso à conversas sobre sua vida pessoal, só pelo histórico, quem o acompanha sempre já espera que saíam no mínimo faíscas quando ele resolve falar. E assim aconteceu mais uma vez

Em uma rara entrevista concedida ao jornalista Philip Utz, da Numéro Magazine, o maior (e sim, pior) ponto que ganhou o noticiário fashion dessa vez foi a declaração: “se você não quer ter a calcinha puxada, não seja modelo, sempre haverá lugar no convento”. Sim, uma declaração HORROROSA, assim em letras garrafais mesmo, principalmente em tempos que, enfim, diversas modelos e atrizes enfim deram voz a um problema tão recorrente e terrível como é o caso dos abusos que ocorrem nessa indústria. Vários reis desse jogo como Mario Testino e Bruce Weber receberam o xeque-mate após denúncias e foram banidos de publicações como a Vogue e todas as demais que envolvem a Condé Nast – praticamente as que mais lhe deram prestígio. Assim, como de fato tinha que ser, afinal abusos devem ser punidos, e seus responsáveis banidos de qualquer publicação ou grife que tenha a mínima seriedade.

Mas Lagerfeld, ainda que bastante errado (e esse não é o ponto aqui, aliás), apenas se expressou. Ou talvez seja considerado um abuso pra atual geração não se podar e falar justamente o que pensa assim, sem meias palavras. tumblr_n049y9jFly1rknpdio1_400
Vale ressaltar ainda que Karl é de 1933, e é impossível cobrar o posicionamento engomadinho envolto no politicamente correto tão cultivado e marca dessa década, de quem nasceu em uma geração tão diferente da nossa. É o mesmo que explicar a teoria queer pro seu bisavô – que sim, tem sua importância – mas a possibilidade dele entender por completo o significado daquilo e respeitar é… mínima.

Nas redes sociais pipocaram pedidos para que a Chanel o deixe de lado e troque seu designer – e Karl, para grife é muito mais que isso, tem aval pra fazer o que der literalmente na telha – sob as justificativas de que, além de dizer besteira, não inova há tempos. Talvez por ser uma marca que tem como sua identidade, ser clássica. Quer inovação de impacto? Vai acompanhar a Vetements. E nem ela vem inovando tanto assim.

É estranho que em tempos que lutamos tanto pela liberdade não só de expressão, como também sexual, artística, etc, tentemos calar ou boicotar alguém por expressões infelizes – e que foram apenas expressões, até que se provem, nunca acompanhadas de tais atos. Pra alguns continua valendo a máxima “posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Ainda bem.

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