Heroin Chic: quando a estética viciada invadiu o high fashion

Morbidez, melancolia, uma dose de heroína, roupas de grife e estava feita a nova era da moda que invadiu as passarelas – e que levou a moda para a época menos rentável na sua história

Pele pálida, ossos aparentes, o olhar um tanto quanto inexpressivo, uma onda de pessimismo com um grande toque do grunge, sucesso da época: essa foi a era Heroin Chic que invadiu as passarelas no fim da década de 90. Bem diferente do que fazia sucesso anteriormente, em que um glamour hollywoodiano aliado a uma beleza super feminina, cheia de vitalidade da supermodelos, era vista como desejo de todos.

De repente era como se o niilismo tivesse invadido a passarela, não deixando de lado, claro, a droga que batizou o estilo como quase ingrediente do estilo: a heroína. Não que fosse um requisito usá-la, ainda bem. Mas a onda vez era justamente parecer uma viciada em heroína, mas consumindo high fashion, claro. Daí o nome.

A heroína em pó, ainda mais pura, havia acabado de se popularizar como uma opção à injetada, essa, que por sua vez, contribuiu em grande parte para o aumento de casos de infectados por Aids durante o compartilhamento de seringas, ato comum entre os usuários. A droga agora ganhava uma aura cool na cultura pop da época, sendo romantizada em filmes, músicas, clipes, até que atingiu também a moda. Uma glamourização do look viciado, que claro que não poderia passar longe das críticas, trazendo junto com si um prejuízo pra moda. 

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Editorias em banheiros, motéis baratos de estrada, jeans desgastado e folgado, maquiagem leve (ou se forte, quase sempre com olhos marcados e levemente borrados no estilo “não dormi”), olheiras, um cigarro na mão, cabelo não-penteio-a-dias, e claro, magreza extrema era a composição que ganhava a cada vez um espaço maior. A heroína em si não aparecia em fotos – também pudera. Mas era a vibe despertada por ela que guiava o visual, talvez o mais controverso já adorado pela moda.

Entre as modelos que mais fizeram sucesso seguindo a estética, os destaques vão para Jodie Kidd, Jamie King, e claro,  Kate Moss e sua famosa campanha da Calvin Klein. 

O FIM DA ERA

A imprensa da época justifica com dois motivos principais o fim da era: o primeiro, e mais conhecido foi a morte do famoso fotógrafo de moda Davide Sorrenti. Um dos mais requisitados para fotografar o estilo, Davide namorava Jamie King, uma das

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Wintour falou, Constanza Pascolato ouviu e profecia foi cumprida. Amém?

musas da estética e que era, de fato, usuária de heroína. Ele passou a usar substância com frequência em doses cada vez maiores, e já tendo outros problemas de saúde, não resistiu ao vício. Sua morte causou grande repercussão na mídia e crítica até do presidente da época, Bill Clinton. Já Jamie, parou na reabilitação. A estética passou a ser vista com outros olhos, agora negativa – como de fato, sempre deveria ter sido.

O segundo motivo é bem conhecido em terras nacionais – e também fora dela: Gisele Bundchen. Em julho de 1999, Gisele estreava na capa da Vogue America, com a chamada “a volta da modelo sexy”. Estava então sepultada – pelo menos até a segunda ordem – a heroin chic. E despontava agora a versão fashion do clássico do futebol Brasil x Argentina, só que nada das hermanas nesse quesito. Os times em campo, ou melhor, nas passarelas, se resumiam principalmente em Russian Mafia x Brazilian Bombshells. Mas aí já é outro capítulo da história.

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