Russian Mafia Era

Originado nos anos 2000, o termo nada tem a ver com seu significado literal aqui. Em vez de engravatados mafiosos movimentando milhões ao redor do mundo através de movimentações ilícitas, a expressão russian mafia foi adotada entre os fashionistas mais assíduos para se referir à explosão de russas bem sucedidas no mundo das modelos. Não uma, duas ou meia dúzia delas, mas uma lista incontável de new faces pegando os melhores shows.

Só outro país fazia frente a esse time na época: o Brasil e sua geração 2000, vulgo brazilian bombshells, como foram em parte apelidadas. Em seu livro, “Preciso Rodar o Mundo”, a ex-modelo Micheli Provensi confirma a concorrência: “No futebol, nosso maior clássico é Brasil x Argentina. Já entre as modelos, a grande rivalidade é a Rússia. Somos contra o Leste Europeu: Ucrânia, República Tcheca, Uzberquisttão, Letônia, Polônia, Bulgária…. na dúvida, qualquer uma do Leste Europeu para as brasileiras era Russa.”

Incluiremos aqui então as vizinhas da russas, que englobavam a rivalidade pro outro time.  Algo mais ou menos como ocorre na Copa: o brasileiro raiz torce para qualquer país da América Latina quando ele joga contra um time europeu. Menos a Argentina. Possivelmente porque eles ainda não aceitaram que Pelé é maior que Maradona. Mas nisso as russas ficaram um pouquinho pra trás: ninguém discute que a maior de todas foi (e é) Gisele Bundchen.

DIVERSIDADE. Ou quase.

O curioso entre a rivalidade e o espaço para ambos os tipos eram as diferenças gritantes entre elas. Tudo, é claro, dentro do padrão high fashion: uma disputa com as brasileiras que em sua maioria exalavam sua sensualidade latina, natural. Geralmente mais encorpadas, abertas, de um bom humor e personalidade que soava simpática e amigável. O  que facilita entender o boom de angels e modelos nacionais na Victoria’s Secret, afinal, o que mais combinava com a essência da marca do que a garota divertida, sexy, de corpo perfeito e riso fácil?

Do outro lado, as russas – e suas vizinhas territoriais – com um olhar quase gélido, catwalk forte e sua sobriedade como essência que acabou se tornando o perfil mais comum que se vem à cabeça até hoje quando se fala em high fashion. Não que as brasileiras não tenham conquistado seu espaço também nessa área: dividiam com as russas as principais campanhas, aberturas de desfiles.  Uma disputa e convivência acirrada. 

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Raquel Zimmermann, Caroline Trentini, Jeisa Chiminazzo, Gemma Ward e Snejana Onopka para D & G em 2006

Porém nos backstages da vida, eram quase como água e óleo: só havia mistura em fotos posadas propositalmente, e fora isso cada uma em seu squad, ou cada uma em seu lado do campo antes do jogo, ou melhor, do desfile começar. “Extremos. Enquanto me contentava com o um vice-campeonato e uma nota sete na prova, as russas não tiravam os olhos da liderança”, relata Provensi no capítulo de seu livro que aborda com bom humor a concorrência, que ultrapassava a passarela e invadia também o mesmo – e pequeno – espaço que chamavam de casa nos movimentados apartamento de modelos, cedidos pelas agências com garotas de todo canto do mundo.

RUSSIAN MAFIA: O squad

Sasha Pivovarova: New face da safra de 2002, Sasha é a mais antiga – e talvez uma das mais bem sucedidas Prada Girls, com um contrato de exclusividade que durou por anos e a fez ter uma carreira meteórica. Talvez um dos rostos mais instigantes da geração russa – e mais intimidantes também. Com cara de poucos amigos, meio a la Regina George, era sempre fotografada unicamente com seu squad nos bastidores.

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Snej, Vlada e Sasha nos bastidores muito antes do glamour falso pós-instagram

Snejana Onopka: Melhor amiga de Sasha na época, Snej é do país ao lado, Ucrânia. Iniciou sua carreira em meados de 2004. Logo depois, pegou diversas campanhas como Prada, Lanvin, Calvin Klein, Yves Saint Laurent, Louis Vuitton Eyewear, Gucci, Dolce & Gabanna, Hugo Boss, Emilio Pucci, entre outras. A top foi alvo de críticas da imprensa por diversas vezes por sua magreza tida como extrema até pra época. Infelizmente, a dona de um catwalk icônico não está mais ativa no mundo fashion, e tampouco é vista também como o resto do squad russo, que vai e volta faz uma aparecidinha em alguma temporada ou front row. O motivo em si, nunca foi exposto, mas a modelo de personalidade conhecida por não ser das mais dóceis, já falou sobre supostas brigas com sua agência e um possível “boicote” contra ela. #SddsSnej

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Snejana Onopka @ Roberto Cavalli RTW S/S 2007. I C O N I C

Vlada Roslyakova: Ela, que na verdade chama-se Elena, mudou de nome artístico pra não ser confundida com outra top da época, Elena Rosenkova. Começou sua carreira no início dos anos 2000, fazendo uma temporada em Tóquio antes de chegar a Nova Iorque e se tornar uma das russas mais bem sucedidas no ramo, pegando as principais campanhas do mundo. Só na temporada Outono/Inverno de 2006, bookou 91 desfiles. Mais um dado astronômico de sua carreira, são suas mais de C E M capas de revistas do mundo da moda, o que a fez ser declarada como uma das 30 modelos mais influentes do anos 200 pela Vogue Paris. Membro fixo do clubinho com Sasha e Snej, o trio era a personificação do que chamamos de Russian Mafia: um tom inacessível que soava impenetrável nas rodinhas de backstage.

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Humildade pra quê, quando você é da realeza high fashion e sabe disso, né Vlada?

Tanya Dziahileva: Descoberta precocemente, aos 11 anos, a top da Bielorússia era parte constante dos principais castings, pegando 71 desfiles apenas em 2008. Manteve o ritmo frenético na temporada seguinte, e chegou a ser quotada como aposta para uma futura supermodelo. Atualmente, permanece na moda, agora também atuando mais ativamente em seus bastidores como designer e fotógrafa.

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Sasha Pivovarova, Vlada Roslyakova e Tanya Dziahileva. Ta assusta o poder @?

Outros nomes importantes da Russian Mafia dos anos 2000

Maryna Linchuk: Mais uma da Bielorússia, Maryna é da safra de 2006. Uma das exceções da máfia russa que fazia Victoria’s Secret, e muito bem, obrigado. Simpática nível dar um tapinha no bumbum do Usher, que pareceu não se incomodar.

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Victoria’s Secret Fashion Show 2008

Anja Rubik: Polonesa, estreou nas passarelas em 1999, atingindo o sucesso já no ano seguinte. Permanece na ativa, claro que com trabalhos super seletos. É musa oficial de Anthony Vaccarrelo (atual designer da Saint Laurent), filantropa, empresária e considerada uma das Industry Icons no seleto grupo do models.com; já esteve também no ranking entre as Money girls. Tá bom pra você?000000110484-colette_pechekhonova-squaremedium

Colette Pechekhonova: Assim como Anja, Colette fez seu début no finalzinho da década de 90. A russa, de perfil totalmente high fashion foi exclusiva da Calvin Klein, chamando atenção de diversas grifes logo em seguida pelo seu catwalk de forte presença. Por opção, se aposentou das passarelas cedo, em 2004, mas permaneceu fotografando alguns editoriais e campanhas até meados de 2010.

Natalia Vodianova: No pódio das maiores modelos russas de todos os tempos, com certeza consta esse nome. Personagem real do típico conto de fadas fashionista, Natalia teve uma infância humilde e rodeada por dificuldades financeiras. vogue deutsch october 2008 natalia vodianovaPara ajudar a família, vendia frutas na rua com a mãe, até ser descoberta como modelo, fato que aconteceu aos 15 anos. Aos 17, já tinha assinado com uma agência em Paris, onde teve uma temporada meteórica, desfilando para as maiores grifes do mundo e enfileirando dezenas de capas, editoriais e campanhas, o que a garantiu um lugar entre as modelos mais bem pagas da Forbes entre os anos de 2006 a 2009. Possui mais de setenta(!) capas de Vogue, e atualmente é também conhecida por suas instituições filantrópicas.

Natasha Poli: Ela, que na verdade também se chama Natalia, e adotou o Natasha como nome artístico, é considerada uma supermodelo russa, e membro do seleto grupo Industry Icons. 310974-800wEstreou nas passarelas em 2004, e foi uma das recordistas da temporada, com 54 desfiles. É ainda uma das poucas modelos com diversas edições de revistas de moda dedicadas totalmente a ela, um feito raro na indústria: a Vogue Rússia de julho de 2008, a MUSE Magazine “Natasha Obsessed Issue”, em 2009, e a Vogue Espanha, na sua edição de novembro de 2011.

Anna Selezneva: Descoberta por um scouter dentro de  um Mc Donald’s(!) em Moscou já no final dos anos 2000, Anna estreou nas passarelas em 2008, desfilando para a coleção de verão de Dries van Noten em Paris. Já na temporada seguinte, bastante requisita, foi bookada para todas as grifes mais importantes da indústria, pegando também capas de Vogues renomadas. Permanece lucrando bem na indústria: apesar de ter reduzido consideravelmente seus trabalhos, ainda está na lista Money Girls do models.

Eugenia Volodina: Fugindo do estereótipo de beleza russo, Eugenia se destacava pelEugenia+Volodina+Victoria+Secret+Fashion+Show+xmdX6MU1V7Nlo contrastante cabelo escuro com olhos claros. Iniciou sua carreira nos anos 2000, após ir um open call day de uma agência de modelos local. Logo em seguida recebeu um convite para trabalhar em Paris, onde alcançou o sucesso e foi rosto de diversas campanhas de grifes, principalmente ligadas a cosméticos. Escolhida pessoalmente por Valentino, foi o rosto do perfume Valentino V. Também chamou a atenção nos anos 2000 por ser a única non-angel até então a abrir um segmento no Victoria’s Secret Fashion Show, fato incomum pra época.

Magdalena Frackowiak: Queridinha dos entusiastas do high fashion, Magdalena não podia ficar de fora da lista, mesmo sendo também de um país vizinho. Nascida na Polônia, sua atitude talvez seja a que mais lembre o squad que deu origem ao termo, como falamos no início do post.  fadc52f5e896b4fec28bf32debccf1ccGanhou destaque em 2007, após ser bookada para desfiles como Ralph Lauren, Oscar de la Renta e fechar Christian Dior. Logo após o término da temporada, foi capa da Vogue Itália com Maryna Linchuk (fotografada por Steven Meisel), o que abriu muitas portas na carreira, resultando em convites para ser o  rosto de diversas campanhas. Consolidada, é parte do Industry Icons do models.com, e atualmente, também designer em sua linha de joias.

Daria Werbowy: b21a60ab82794a03533c228520eb8018Assim como Magdalena, é mais uma que na verdade nasceu ali do lado do território russo. Daria é uma supermodelo de origem polonesa. Seu début foi em 2003, já se tornando a recordista que mais abriu e fechou desfiles em uma única temporada. Seguiu com um crescimento meteórico na indústria da moda, se tornando uma das favoritas do poderoso Steven Meisel, o que, claro, resultou em muitos editoriais e capas relevantes. Fez campanhas para Chanel, Gucci, Prada, Missioni, Versace, Balmain, Valentino, Louis Vuitton, entre outras, o que a colocou na lista das mais bem pegas da indústria da Forbes entre os anos de 2006 a 2009, além de presença nas listas mais concorridas do site models: Sexiest, Money Girls e Industry Icons. Só.

 

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